Sabbath: Lammas - Festival da Primeira Colheita

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017


Para quem mora no hemisfério sul, hoje é dia de celebrar o Lammas. Para quem está no norte, o Sabbath é o Imbolc. Porém, quando chegarmos perto desse Sabbath na nossa Roda do Ano, falaremos um pouco mais sobre ele. Por enquanto, é hora de entender o Lammas, suas metáforas, como celebrá-lo.


Lammas também é conhecido como Lughnasadh, celebrado em honra ao Deus Lugh - patrono das artes, do Sol, dos músicos, dos artesãos... Lugh foi um grande guerreiro celta, tanto que, em muitas imagens que o retratam, ele está sempre com uma lança na mão direita; também foi feiticeiro, músico e artesão. Em breve, falaremos mais sobre ele. - Para quem cultua o panteão celta/druida (apenas para explicar: celta = povo de diversas tribos indo-europeias espalhado pelo oeste do continente; druida = sacerdotes, bardos e sacerdotisas que auxiliavam espiritualmente esse povo. Obviamente, os druidas também eram celtas, ou a maioria era), Cernunnos e Cerridwen também são venerados. Para quem acredita em divindades, mas não adora uma em específico, pode apenas se referir aos Deuses desse Sabbath como “Grande Mãe” e “Grande Pai” (ou Deusa e Deus). Lammas é o festival da primeira colheita, o momento de agradecer por tudo que recebemos. Antigamente, o povo literalmente agradecia pelos grãos que foram cultivados e colhidos. Hoje em dia, diante da modernidade, tudo vem pronto para nós, basta ir no supermercado e comprar o que é necessário, são raros aqueles que têm o prazer de plantar, de cultivar, de ver crescer e de se deleitar durante a colheita. Então, o que vamos agradecer? Pelo trabalho, que nos dá o salário mensal para que nada nos falte... Pelos alimentos que consumimos... Pelas roupas que vestimos... Pela família, pelos filhos, pelos cônjuges, pelos amigos... Pelos ensinamentos recebidos, pela sabedoria adquirida, pelo Sol que nasce a cada dia, pela espiritualidade, pelo equilíbrio, pelo autoconhecimento. Viu? Temos tanto a agradecer e, por muitas vezes, só nos lembramos de pedir. Para que não passe despercebido, use o Lammas como Sabbath de agradecimento.
É comum entre os praticantes da bruxaria na tradição celta fazer bonecos com a palha do trigo, representando os Deuses. Os mesmos são consagrados e usados como amuletos durante o ano. Depois, no Lammas seguinte, são queimados, e novas representações dos Deuses são confeccionadas.
Como é a festa da colheita, há sempre pão, vinho, frutas, espigas de milho, grãos diversos (aveia e cevada são os principais) e feixes de trigo enfeitando o local (altar). Claro que não precisa colocar tudo isso... Mas você pode usar coisas simples para demonstrar seu agradecimento aos Deuses, aos Elementais e/ou à Natureza. Já daremos algumas sugestões.
Apesar da alegria e da gratidão pelas dádivas recebidas (colheita), Lammas anuncia que a época de recolhimento e reflexão está chegando... Usando a metáfora religiosa, é o prenúncio da partida do Deus ao seu leito de descanso (morte, transformação), porém, Ele nunca vai sem antes plantar sua semente no ventre da Deusa... Do que estamos falando? O verão está chegando ao fim, e o inverno logo despontará. No entanto, quando a hora certa chegar, falaremos mais sobre isso. Por enquanto, vamos ficar apenas com a alegria e o agradecimento.

— COMO CELEBRAR O LAMMAS —

Bem, não é preciso muita coisa, basta um pouco de fé, de criatividade e de vontade, de desejo sincero. Porém, caso sua “colheita” tenha sido muito boa, que tal gastar mais um pouco e fazer algo bem bonito? Afinal, os Deuses merecem esse carinho, Eles te deram muito, e retribuir a dádiva é reconhecer que sua força e sua sabedoria vieram deles.
Para celebrar o Lammas, monte seu altar (se não tiver um, mas tem a oportunidade de estar próximo à natureza, melhor ainda... forre a grama ou o local onde celebrará o Sabbath com um tecido verde ou marrom, cores que simbolizam a terra produtiva. Não tem como estar em plena natureza? Também não tem um altar ou uma mesa no recinto? Faça no chão mesmo, o importante é sua fé e o carinho dedicado). As cores do Sabbath são marrom - representando a terra fértil, como já foi dito - e o dourado, representando o Sol. Se tiver uma toalha, um pedaço de TNT nessas cores, use e abuse, a criatividade conta muito e Lugh ama pessoas criativas. Não tem? Sem problemas, use o que está ao seu dispor (o amarelo também é opção).
No altar, represente os Elementais da Natureza com velas coloridas (azul para a água, vermelho para o fogo, marrom ou verde para a terra e amarelo para o ar) ou com símbolos (copo de água, vela branca ou vermelha para o fogo, incenso para o ar e um punhado de sal ou um vasinho de planta para a terra). Os Deuses podem ser representados da seguinte maneira:
• Deusa Mãe, Cerridwen ou qualquer outra divindade feminina - caldeirão, cálice com vinho ou suco de uva (pode ser só com água mesmo) ou uma vela roxa (ou preta) ou uma maçã (se tiver maçã verde, melhor ainda).
• Deus Pai, Cernunnos ou qualquer outra divindade masculina - athame, pedras marrons (essas de jardim) ou vela branca, verde ou marrom;
• Lugh (o festival leva o nome dele) - vela dourada, feixes de trigo, aveia ou espigas de milho.
Faça um pão - não pode ser comprado, pois não sabemos como estava a energia da pessoa que o fabricou, é melhor colocarmos nossa energia em tal alimento - ou um bolo de fubá, de milho ou de aveia. Escreva em um papel tudo que quer agradecer, tudo que recebeu como dádiva na vida.
Tudo pronto? Comece seu Sabbath após o pôr do Sol, traçando o Círculo Mágico, chame pelos Elementais da Natureza, peça proteção para que nenhuma energia negativa se aproxime. Também agradeça a cada um deles pela presença e pelas dádivas que nos deram durante o ano que passou.
Agora, com muito respeito, chame os Deuses. Não use orações prontas, e sim a espontaneidade. Consagre o pão, erguendo-o e agradecendo pelos alimentos que te sustentaram e que te deram forças para trabalhar, esse pão representa tudo que veio como bênção na sua vida. Pegue um pedaço desse pão e coloque no caldeirão. Então, faça o mesmo com o vinho, e coloque o que seria o primeiro gole no caldeirão. Coma um pedaço do pão e beba o vinho.

*Atenção: se você tem algum problema de saúde que te obrigue a tomar medicação controlada ou te impeça de consumir bebida alcoólica, use suco de uva!

Erga o prato de aveia ou o feixe de trigo e peça aos Deuses para que te ajudem a compreender os mistérios da espiritualidade, a desvendar o caminho do autoconhecimento e do equilíbrio, a desvendar os segredos do renascimento, da metáfora da morte do Sol no inverno para sua transformação, surgindo com toda força no próximo verão. Espalhe um pouco da aveia sobre o altar ou esfarele a ponta do trigo. Depois, pegue a maçã e morda um pedaço, saboreie a fruta, o doce mistério da natureza. Partilhe e intercale essa energia natural com a da sua alma, conecte-se à Natureza com o intuito obter mais sabedoria sobre esse portento de nascer, crescer, dar frutos, morrer (se transformar), ter sua semente plantada, renascer... Agradeça, agradeça, agradeça e agradeça. Depois, agradeça de novo. Lammas é o Sabbath do agradecimento!
Dance, sorria, feche os olhos, visualize as bênçãos recebidas. Houve muitos erros e muitas derrotas no ano que passou? Não os veja com negatividade, e sim como lições aprendidas, como sabedoria adquirida. Então, agradeça mais!
Coloque o papel com os agradecimentos no caldeirão, junto com o pão e o vinho (ou suco de uva). Risque um fósforo e queime as libações jogadas no caldeirão (se for preciso, jogue um pouco de álcool antes de atear fogo para queimar melhor), observe as chamas... Sorria, agradeça!
Despeça-se dos Deuses e dos Elementais da Natureza. Feche o Círculo Mágico... Sinta-se pleno, feliz, realizado. Você acabou de celebrar o Lammas, o Festival da Primeira Colheita!

Caso tenha alguma dúvida ou precise de conselhos particulares, fale conosco:
dragoesdaluanegra@gmail.com

Abençoado Lammas a todos!






*Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal. A reprodução parcial ou total deste texto está terminantemente proibida e é protegida por lei*.

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